sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mãos que oram(a história é um pouco grande mas vale apena ler)

No século XV, em uma pequena aldeiaperto de Nüremberg, vivia uma famíliacom vários filhos.
Para pôr pão na mesa para todos,o pai trabalhava cerca de 18 horasdiárias nas minas de carvão, e emqualquer outra coisa que se apresentasse.
Dois de seus filhos tinham um sonho:queriam dedicar-se à pintura, mas sabiamque seu pai jamais poderia enviar os doispara estudar na Academia.
Depois de muitas noites de conversas etroca de idéias, os dois irmãos chegarama um acordo : lançariam uma moeda para tirara sorte, e o perdedor trabalharia nas minaspara pagar os estudos ao que ganhasse.Ao terminar seus estudos, o ganhadorpagaria então, com a venda de suas obras,os estudos ao que ficara em casa.
Assim, os dois irmãospoderiam ser artistas.
Lançaram a moeda num domingo aosair da Igreja. Um deles, chamado Albrecht,ganhou, e foi estudar pintura em Nüremberg.
Então o outro irmão, Albert, começou o perigosotrabalho nas minas, onde permaneceu pelospróximos quatro anos para pagar os estudos deseu irmão, que desde o primeiro momento tornou-se,logo, um sucesso na Academia.
As gravuras de Albrecht, seus entalhes e seus óleoschegaram a ser muito melhores que os de muitos deseus professores. Quando se formou, já havia começadoa ganhar consideráveis somas com as vendas de sua arte.
Quando o jovem artista regressou à sua aldeia,a família Dürer se reuniu para uma ceia festivaem sua homenagem.
Ao finalizar a memorável festa, Albrecht se pôs de péem seu lugar de honra à mesa, e propôs um brinde à seuirmão querido, que tanto havia se sacrificado,trabalhando nas minas para que o seu sonho de estudarse tornasse uma realidade. E disse:
“Agora, meu irmão, chegou a tua vez.Agora podes ir a Nüremberg e perseguir teus sonhos,que eu me encarregarei de todos os teus gastos”.
Todos os olhos se voltaram, cheios de expectativa,para o lugar da mesa que ocupava seu irmão.Mas este, com o rosto molhado de lágrimas,se pôs de pé e disse suavemente:
“Não, irmão, não posso ir a Nüremberg.É muito tarde para mim. Estes quatro anosde trabalho nas minas destruíram minhas mãos.Cada osso de meus dedos se quebrou pelo menosuma vez, e a artrite em minha mão direita temavançado tanto que me custou trabalholevantar o copo para o teu brinde.
Não poderia trabalhar com delicadas linhas,com o compasso ou com o pergaminho, e nãopoderia manejar a pena nem o pincel.Não, irmão, para mim já é tarde. Mas estou felizque minhas mãos disformes tenham servido para queas tuas agora tenham cumprido seu sonho”.
***Mais de 450 anos se passaram desde esse dia.Hoje as gravuras, óleos, aquarelas, entalhes edemais obras de Albrecht Dürer podem ser vistosem museus ao redor de todo o mundo.
Para render homenagem ao sacrifício de seu irmão,Albrecht Dürer desenhou suas mãos maltratadas,com as palmas unidas e os dedos apontando ao céu.
Chamou a esta poderosa obra simplesmente “MÃOS”,mas o mundo inteiro abriu de imediato seu coraçãoà sua obra de arte e mudou o nome da obra para:“Mãos que oram”.

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