
Viver é aprender, é sentir, é conhecer. Viver é uma prova constante de seu caráter, da sua coragem, do seu modo de ver o mundo. Ninguém te culpa por ser do jeito que é, ou por agir da forma que age. Mas o mundo te cobra, e lhe é cruel da mesma maneira. Olho por olho, dente por dente. Diria Hamurabi. Alguns chamam de livre arbítrio, outros de lei da natureza, ou até lei da ação e reação. A verdade é que não há escapatória, não há tangente pela qual você possa escapar, esse mundo está pronto para lhe fazer sofrer por seus atos.
Para aqueles que não sabem conviver com essa realidade, ela pode ser traumática. Desilusão, um sentimento psico-ativo causado por algum constrangimento sofrido, ou por expectativas falhas. A realidade é desilusória. Não há beleza no mundo que esteja fora da nossa mente. Vivemos impulsionados por nossos próprios estímulos, nossa própria vontade de ver o mundo com óculos cor-de-rosa. E assim, fazemos do mundo um lugar mais bonito. É incompreensível, mas a beleza do mundo, e sua maior desgraça, somos nós, seres humanos.
E quando essa desilusão ultrapassa as barreiras de sociedade, de mundo. Quando essa desilusão chega ao ponto mais fraco de um homem: seu coração. Sete mil amperes, por três segundos, e seu coração sofre arritmia. Você morre. Uma rejeição, e você se fecha. Rejeição. Uma flecha certeira na auto-estima de uma pessoa. Seja quando você é pequeno, e quer mostrar algo a seus pais, primos, amigos. Seja quando você é um adolescente, toma coragem para falar com aquela garota que você paquera desde a 5ª série. Seja quando você é adulto, que apresenta um projeto promissor ao seu chefe. A rejeição faz desabar qualquer um.
E é quando você perde sua auto-estima que você se entrega aos vícios. Você come, vê tv, faz algo que te dê prazer. Mas é um prazer que não te satisfaz. Por mais que aquilo seja bom, não é o suficiente para te mostrar o quão maravilhoso você é. Um fato interessante da rejeição é que a única forma de recuperar o que lhe foi tirado com ela, é provando para todos que você é capaz. Uma rejeição, um vício, uma desilusão. Você pensa, você sente, você vive. Você não se importa.
E então, quando você se dá conta, seu vício se personificou. Ele é agora uma forma mística, que tem como cobaia um rélis humano. E você vive, cria dentro de sua cabeça, da sua visão de mundo, o amor. O cultiva, e atribui toda a perfeição à esse seu vício. Pois ele é seu, e sem ele você não vive. Você, sem perceber, passa a amar, você quer provar a todos que é capaz.
O amor o sentimento mais forte do homem, a droga mais avassaladora. Porém, ao contrário do que se espera, o amor platônico é unilateral, é caracterizado por um amor não-correspondido, com cegas esperanças daquele que ama. Grande mentira. Você vive uma grande mentira. No desespero, entregue ao vício, com sua auto-estima aos pedaços, você se entrega. Sua única opção é sentar e esperar que esse amor platônico seja correspondido.
E você definha, você espera. Você morre. E você vive. E perde a sensação do tempo, o sabor lhe foge da boca, o ar já não lhe faz falta, o som some. E você vive, sentado, esperando às sombras de sua própria consciência, que um dia este amor lhe retorne as mensagens, as ligações. Que este amor lhe apareça com flores. Que este amor ao menos te note. Grande mentira. Você vive uma grande mentira.
- Mr. Hat
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